04/04/2010

Menelau III, o Formoso

Nesses tempos de amnésias coletivas, fiquei tentado a escrever sobre um personagem que pouca gente conhece: Menelau III, o Formoso, já que a história oficial só contempla as razões e os vencedores, em detrimento, muitas vezes, da própria verdade. Assim, resgatei a biografia de um grande general etíope que foi banido dos livros escolares, apenas por ter sido corno.

Menelau não foi traído por uma mulher, mas por todas. Dessa forma, apesar de haver sido brilhante como farmacêutico, estrategista militar, paisagista e inventor, o pobre coitado viu-se alijado da História e jogado, injustamente, ao ostracismo.

Como farmacêutico, contribuiu para a Humanidade com dois grandes achados: um elixir para tratamento dos problemas renais ao qual deu o nome de Hepatovis (em homenagem ao amigo Hepattus, prematuramente falecido. Esta droga recebeu, mais tarde, a contribuição de Madame Curie e chegou aos nossos dias como o nome comercial de Hepatovis B12); e um poderoso detergente, desenvolvido para manter a alvura dos mármores dos templos gregos que, por conta de sua experiência de dois anos vividos entre os índios Zambézi, recebeu o nome de Coca-Cola que, naquela língua, significa “água suja que branqueia”.

Como estrategista, seria suficiente dizer que este sanguinário general, nascido na Baixa Mesopotâmia foi, após comandar a famosa marcha de Aníbal pelos Alpes, consultor militar do Almirante Nelson na não menos famosa Batalha de Waterloo, quando os exércitos de Napoleão foram derrotados, o que permitiu aos múrcios a conquista definitiva da cidade de Praga na sangrenta página histórica da Queda da Bastilha.

Mas Menelau III, homem múltiplo, também foi o responsável pela criação de verdadeiras maravilhas da Natureza (movido pela sua profunda paixão pelas plantas) sendo de sua autoria os Jardins Suspensos da Babilônia, os premiadíssimos jardins do Palácio de Versailles e o Aterro do Flamengo, no Rio. Como inventor criou, juntamente com um carpinteiro otomano de nome Sikorski, o helicóptero, mais tarde aperfeiçoado por Leonardo da Vinci.

A despeito de todas essas contribuições, Menelau III, o Formoso, ficou conhecido mesmo por ser corno. Aventureiro, correu mundo e era freqüentador assíduo de palácios e bordéis. Tido como grande amante, era disputado por mulheres do povo e da corte e, sempre que possível, entre uma guerra e outra (ou entre uma invenção e outra), contemplava uma companheira com seus dotes de alcova.

Foi assim que seu nome, correndo pelos noticiários da época, chegou aos ouvidos de Cleópatra, rainha ninfomaníaca que sugou tudo que pode de Menelau, até conhecer o imperador romano Richard Burton, com quem se amasiou, abandonando o então apaixonado general.

A maioria dos historiadores atribui a Menelau III o suicídio de Cleópatra, como fruto de uma última noitada de orgias, quando a rainha-deusa da Metro-Goldwin-Mayer, após um pacto de amor eterno, totalmente bêbada, enfiou a mão na famosa cestinha com a serpente.

O New York Times, em sua coluna social, foi impiedoso com Menelau e expôs todo o seu sofrimento de amante abandonado mundo a fora.

Lucrecia Bórgia, assídua frequentadora dos embalos europeus, apiedou-se de Menelau e, através de emissários, localizou o general, em franca decadência, vivendo entre os bares da Bósnia. Levou-o para o seu palácio, tratou-lhe as feridas do corpo e da alma e, tão logo ele convalesceu, transformou-o em seu amante secreto. Ninguém daquele tempo sabia, mas era com Menelau que La Bórgia, como era conhecida, passava suas noites de orgia sado-masoquista, curtindo suas fantasias dominadoras. Menelau, abandonado por esse segundo grande amor, mergulhou em suicida depressão que o levou a experimentar, pela primeira vez, a prostituição homossexual, de onde só foi tirado pela sua terceira e derradeira paixão, Mata-Hari.

Em sua mente conturbada, Menelau III, o Formoso, viveu seus últimos dias tentando desesperadamente por fim à sua miserável vida e, segundo historiadores, só aceitou a convivência com a famosa espiã por acreditar que assim poderia abreviar seus dias de infortúnio. Ironicamente, na noite em que Mata-Hari foi presa e depois, executada, Menelau estava com um garoto de programa num motel da Córsega, de onde só voltou dois dias depois.

A prostituição, o alcoolismo e a falsa moral vigente na época, privaram este grande homem de passar à História pelos seus inumeráveis feitos.

Vivendo como mendigo, doente e abandonado, Menelau III morreu de complicações na próstata, num albergue mantido pelo Estado, no subúrbio de Quintino Bocaiúva, no Rio de Janeiro.


Anderson Fabiano

Imagem: Google

6 comentários:

Helena disse...

***
Quando li essa crônica no RL, achei o máximo!
Depois, quando a li no teu livro "Dando soco no sereno", me diverti mais ainda!
Ri muito ao tentar contextualizar a incrível a mistura que fez de datas, momentos históricos e personagens, numa narrativa surreal e divertidíssima!
A criatividade na elaboração de situações hilárias revela tuas características mais marcantes enquanto cronista: a criticidade e a irreverência. Além, é claro, daquilo que sempre digo: o conhecimento admirável sobre vários assuntos, sem os quais, escrever assim, não seria possível.

Uma delícia, barba!!
Sou bem suspeita pra dizer que adorei o novo blog... rs... Mas adorei messsmo!!
Beijo, amo, beijo!

´Flor* disse...

parabéns menino.ótimas casas com conteúdo,mais uma aqui que desperta a atenção do começo ao fim..muito bom excelente..
Não consigo falar por mail que acontece.Estou preocupada com a situação atual.tu etas bem??
Bjuss\Flor**To bloqueada nos mails.é isso??

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Caro amigo.

Hoje a minha visita é para agradecer.
Nestes dias que celebro a minha vida,
tenho certeza de que a mesma
não teria o brilho de hoje,
se não fossem os amigos e amigas
que a tornam valiosa
mesmo que distantes.

A ti gostaria de dizer obrigado:
Obrigado pelas visitas ao meu blog.
Obrigado pelas palavras semeadas.
Obrigado por sentir os meus textos
com os olhos do coração.

Sou eternamente grato a vida,
por mais estes presentes
que de modo gentil
deixas em minha vida,
fazendo de mim uma pessoa melhor,
e pleno de felicidade.

Lindos dias de vida para ti.

Fragmentos Betty Martins disse...

._________querido Anderson




fascinaste o que acabei de ler. confesso que desconhecia por completo a história de vida de "Menelau III, o Formoso"


.tenho que dizer obrigada por tão rica partilha.

.

amei








______________///





beijO_____ternO

Je Vois la Vie en Vert disse...

Esta história antiga e na mesma altura contemporânea está muito bem escrita ! Quantos Menelaus não haverá por aí...

Beijinhos
Verdinha

Tyrone disse...

Um verdadeiro ""banho no samba do crioulo doido.